Auschwitz cria um cenário virtual perfeito do campo de concentração e divide opiniões

O cenário digital do filme de Auschwitz-Birkenau, chamado ”Imagem de Auschwitz”, foi criado pelo ATM Virtual Studio e pelo Museu Memorial de Auschwitz-Birkenau em 2025. (Cortesia)

#Auschwitz 

O Museu Memorial de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, lançou este ano um projeto inédito e polêmico: uma réplica digital 100% fiel do campo de Auschwitz I, tijolo por tijolo, para ser usada como cenário de filmes, séries e projetos educativos

Chamado “Picture from Auschwitz” (Foto de Auschwitz), o modelo foi apresentado no Festival de Cannes e já está disponível para produtores do mundo inteiro.

Por décadas, o museu proibiu qualquer filmagem de longas-metragens dentro do campo verdadeiro. Nem mesmo Steven Spielberg conseguiu permissão para rodar cenas de “A Lista de Schindler” (1993) no local original – ele teve que construir réplicas do lado de fora dos portões. Agora, o próprio memorial inverteu a lógica: em vez de levar câmeras ao campo, leva o campo (em versão digital) até as câmeras.

O cenário virtual funciona com paredes de LED gigantes e inteligência artificial, tecnologia já usada em produções como “The Mandalorian”. Isso permite que atores “entrem” em Auschwitz sem sair do estúdio, com iluminação, clima e perspectiva perfeitamente realistas.

Ruínas de um complexo de câmaras de gás e crematórios em Auschwitz-Birkenau, o antigo campo de extermínio nazista na Polônia, outubro de 2017. (Matt Lebovic/The Times of Israel)

Por que o museu decidiu fazer isso?

Os responsáveis explicam que o número de sobreviventes do Holocausto diminui a cada ano e, ao mesmo tempo, pesquisas mostram que a negação e o desconhecimento sobre o genocídio crescem entre os mais jovens. Para o diretor da Fundação Auschwitz-Birkenau, Wojciech Soczewica, filmes e séries continuam sendo uma das formas mais poderosas de manter viva a memória:

“Cada tijolo digital representa vidas reais perdidas – crianças, trabalhadores, milhares de histórias interrompidas. Este projeto não é só imagem: é um recipiente de memória e testemunho.”

Maciej “emojcin, responsável técnico pelo modelo 3D, usou scanners de última geração e trabalhou lado a lado com historiadores do museu para garantir precisão total. “Filmagens nesse Auschwitz virtual permitem contar a história com 100% de autenticidade do lugar”, diz ele.

O cenário digital do filme de Auschwitz-Birkenau, chamado “Imagem de Auschwitz”, foi criado pelo ATM Virtual Studio e pelo Museu Memorial de Auschwitz-Birkenau em 2025. (Cortesia)

As críticas e os riscos

Nem todo mundo aplaudiu a ideia. Acadêmicos e especialistas em memória do Holocausto apontam perigos:

– Com a explosão de imagens falsas geradas por IA na internet (inclusive fotos inventadas de Auschwitz que já circularam até por influenciadores famosos), um modelo digital tão perfeito pode acabar sendo usado de forma errada ou manipulada.

– A pesquisadora Emily-Rose Baker, da Universidade de Southampton, alerta: “A tecnologia não garante um uso ético. Pelo contrário, levanta questões sobre até onde a digitalização do Holocausto pode andar junto com uma lembrança respeitosa.”

– Ela também critica o fato de o projeto dar ainda mais destaque a Auschwitz, já o campo mais conhecido, enquanto massacres em aldeias, florestas e outros locais do Leste Europeu, onde não sobrou quase nenhum vestígio físico, continuam menos lembrados.

Um estudo recente publicado na revista AI and Ethics mostrou que adolescentes e jovens adultos confiam mais em conteúdos sobre o Holocausto gerados por IA e consumidos no TikTok e Instagram do que as gerações mais velhas. Para eles, o importante é a história chegar; para os mais velhos, a emoção só é verdadeira quando vem de testemunhas reais.

Criadores de “Picture from Auschwitz? e representantes do Museu Memorial de Auschwitz-Birkenau no Festival de Cinema de Cannes, maio de 2025. (Cortesia do Museu Memorial de Auschwitz-Birkenau)

O que vem por aí

Mesmo com as críticas, o museu já recebe pedidos do mundo inteiro – não só de cineastas, mas também de criadores de projetos educativos e até de experiências em realidade virtual. Pawel Sawicki, responsável pelas redes sociais do memorial, diz que o interesse surpreendeu:

O presidente polonês Andrzej Duda (à esquerda), o presidente Isaac Herzog (ao centro) e Michal Herzog chegam a Auschwitz em 24 de abril de 2025, antes do início da Marcha dos Vivos. (Chen Schimmel/Marcha dos Vivos)

“Achávamos que seria só para cinema, mas estamos vendo que o potencial é muito maior.?

Por enquanto, só Auschwitz I está pronto. O campo da morte de Birkenau (Auschwitz II) ainda será modelado nos próximos anos.

O projeto coloca uma pergunta difícil na mesa: em um mundo cada vez mais digital, como preservar a memória de algo tão terrível sem correr o risco de banalizá-lo ou distorcê-lo? Para o Museu de Auschwitz, a resposta é usar a própria tecnologia para manter a história viva e exata. Para os críticos, o remédio pode acabar sendo parte do problema. O debate está só começando.


Publicado em 22/11/2025 19h27


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Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.


Artigo original:


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