A mais antiga imagem conhecida de Jerusalém: Uma gravura de 2.700 anos destruída pelo Estado Islâmico

Representação da laje 28 da sala do trono do Palácio Sudoeste em Nínive (atual Mosul), Iraque, criada pelo arqueólogo britânico Austen Henry Layard por volta de 1850. (Acervo do Museu Britânico)

doi.org/10.1086/737400
Credibilidade: 989
#Jerusalém 

Há cerca de 2.700 anos, durante o reinado do rei assírio Senaqueribe, foi criada uma impressionante gravura em baixo-relevo no palácio dele, em Nínive, na atual Mosul, no Iraque. Essa peça fazia parte da decoração da sala do trono e mostrava uma cidade majestosa cercada por muralhas elaboradas, com torres e uma construção imponente no centro.

Recentemente, um pesquisador identificou que essa imagem pode representar Jerusalém – o que a tornaria a representação mais antiga conhecida da cidade, cerca de 1.200 anos mais velha que o famoso mapa de Madaba, do século VI.

A gravura em questão, chamada de laje 28, integrava uma sequência de painéis que narravam as conquistas militares de Senaqueribe em sua terceira campanha, por volta de 701 a.C. Nela, via-se uma muralha com torres corbeladas – um estilo arquitetônico típico do Reino de Judá, semelhante ao que aparece em outras gravuras assírias da conquista de Laquis e possivelmente de Gate. Havia um amplo espaço vazio entre a muralha e o edifício principal, interpretado como o fosso seco que separava o Monte do Templo da Cidade de Davi. No topo da muralha, uma única figura segurava um objeto, possivelmente um estandarte real, sugerindo que se tratava do rei Ezequias, de Judá. Diferente das cenas habituais assírias, que mostram saques, incêndios e prisioneiros, ali não havia destruição nem defensores lutando – apenas a figura solitária, o que combina com os relatos históricos e bíblicos de que Senaqueribe cercou Jerusalém, mas não a conquistou nem a saqueou, deixando-a intacta após aprisionar Ezequias “como um pássaro em uma gaiola”.

O pesquisador Stephen Compton, da Universidade da África do Sul, publicou essa análise em outubro no Journal of Near Eastern Studies, baseando-se em fotografias antigas (uma de 1990) e desenhos do século XIX feitos pelo arqueólogo britânico Austen Henry Layard, já que a peça original foi destruída. Em 2014 e 2015, o Estado Islâmico (ISIS) invadiu a região e destruiu sistematicamente o patrimônio pré-islâmico de Nínive para apagar identidades culturais antigas. A sala do trono virou escombros, e a laje 28 foi esmagada junto com muitas outras. Apesar disso, equipes alemãs, lideradas pelo assiriólogo Stefan Maul, da Universidade de Heidelberg, recuperaram milhares de fragmentos desde 2017, limpando, catalogando e armazenando-os para uma futura reconstrução – um trabalho que ainda levará anos.

Placa 28 da sala do trono do Palácio Sudoeste em Nínive (atual Mosul), Iraque, fotografada em 1990 por John Malcolm Russell. (Cortesia de John Malcolm Russell)


Representação da laje 28 da sala do trono do Palácio Sudoeste em Nínive (atual Mosul), Iraque, criada pelo arqueólogo britânico Austen Henry Layard por volta de 1850. (Acervo do Museu Britânico)

Detalhe de uma figura que possivelmente representa o Rei Ezequias em uma reprodução da laje 28 da sala do trono do Palácio Sudoeste em Nínive (atual Mosul), Iraque, criada pelo arqueólogo britânico Austen Henry Layard por volta de 1850. (Acervo do Museu Britânico)

Um baixo-relevo assírio do palácio do rei Senaqueribe, do século VIII a.C., na atual Mosul. A imagem retrata a cidade de Laquis, mostrando as mesmas ameias duplas características vistas na laje 28, indicando que este é um estilo arquitetônico judaíta. Uma nova pesquisa publicada em 2025 sugere que a laje 28 retrata Jerusalém. (Cortesia do pesquisador independente Stephen Compton)

Imagem de um baixo-relevo assírio do palácio do rei Senaqueribe, do século VIII a.C., na atual Mosul, mostrando uma cidade que uma pesquisa publicada em 2025 identifica como Gate, sob o reino de Judá. A imagem foi publicada pela primeira vez em Layard,

Um intrincado relevo, agora no Museu Britânico, retrata o exército assírio arrasando Laquis, enquanto conquistava e destruía os assentamentos de Judá. (Amanda Borschel-Dan/Times of Israel)

Embora a identificação como Jerusalém seja convincente para Compton, pois encaixa na sequência das conquistas (Fenícia, Filístia e Judá) e nas descrições bíblicas e assírias, nem todos os especialistas concordam. Alguns, como o professor Dan”el Kahn, da Universidade de Haifa, acreditam que a cena mostra Ekron ou outra cidade da planície, ligada à batalha de Elteque, e não Jerusalém, por causa do terreno plano representado. Outros consideram os argumentos interessantes, mas não totalmente persuasivos.

Mesmo destruída, a gravura sobrevive graças aos registros antigos e continua a despertar debates. Ela une as narrativas assírias e bíblicas de um episódio marcante da história, mostrando Jerusalém em um momento de cerco, mas preservada – uma imagem única que pode ser a mais antiga visão da cidade santa que chegou até nós.


Publicado em 27/01/2026 09h11


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Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.


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