
Grupos armados de Gaza, como o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina, começaram a divulgar os nomes de seus combatentes mortos na guerra, revelando que várias pessoas inicialmente apresentadas como jornalistas civis eram, na verdade, membros ativos de suas alas militares
Essa mudança, ocorrida após anos de silêncio sobre as identidades dos mortos, trouxe novas informações sobre o conflito e questiona algumas acusações de que Israel teria deliberadamente atacado profissionais da imprensa.
Um exemplo claro é o caso de Ahmed Abu Eisha. Em julho de 2025, ele foi morto por um drone israelense em um campo de refugiados em Nuseirat. Na época, foi descrito como jornalista da Palestine Today, canal ligado à Jihad Islâmica. Organizações de defesa da imprensa, como o Committee to Protect Journalists (CPJ), o retrataram como um profissional dedicado, educado e que evitava conflitos, incluindo-o em listas de jornalistas mortos por Israel desde outubro de 2023. No entanto, a própria Jihad Islâmica revelou depois que Abu Eisha era comandante de uma unidade de informações centrais, envolvida em coleta e análise de inteligência militar.
Essa divulgação faz parte de uma série de anúncios diários publicados pelos grupos em canais oficiais. Uma análise do Times of Israel identificou vários casos semelhantes. Mohammed Nasser Abu Huwaidi, morto em dezembro de 2023, foi inicialmente apresentado como jornalista do veículo Al-Istiqlal. Sua morte gerou até condenação da UNESCO, que pediu proteção a profissionais de mídia em zonas de conflito. Meses depois, a Jihad Islâmica o incluiu em sua lista de operativos, descrevendo-o como integrante de uma unidade de mídia militar. O CPJ removeu seu nome da contagem de jornalistas após confirmar participação em combates.
Outro caso é o de Yaqoub Anan al-Bursh, que trabalhava na rádio Namaa e foi morto em um ataque aéreo em novembro de 2023. O Hamas o identificou como membro de um batalhão e comentarista de mídia militar. Da mesma forma, Maysara Salah, ligado à rede Quds News, foi removido da lista do CPJ depois que o Hamas o reconheceu como combatente em uma unidade de mídia militar. Essas correções mostram que, em alguns casos, credenciais jornalísticas podem ter sido usadas como cobertura para atividades ligadas aos grupos armados.
O CPJ ajustou sua base de dados, removendo pelo menos oito nomes após verificar que os indivíduos participaram de combates. A organização explica que revisa as informações sempre que surgem novos dados e reforça que o uso indevido de identificação de imprensa prejudica a credibilidade e coloca jornalistas reais em maior risco. No entanto, outras entidades, como a Federação Internacional de Jornalistas e o projeto Stop Murdering Journalists, mantêm alguns desses nomes em suas listas sem mencionar o envolvimento militar. Um estudo anterior do Meir Amit Intelligence Center já indicava que cerca de 60% das pessoas identificadas como jornalistas mortos tinham ligações com grupos terroristas.
Israel afirma que não mira jornalistas ou civis desarmados e que toma medidas para evitar baixas entre a população não envolvida. As Forças de Defesa de Israel (IDF) alegam que muitos alvos eram operativos ativos, envolvidos em planejamento de ataques ou atividades de inteligência. Críticos, porém, questionam essas ações devido ao alto número de mortes reportadas em Gaza.
Essas revelações dos próprios grupos palestinos lançam luz sobre a complexidade do conflito. Nem todos os jornalistas mortos eram combatentes, mas os casos confirmados mostram que a distinção entre imprensa e militância nem sempre foi clara. A divulgação das listas de mortos por Hamas e Jihad Islâmica, embora tardia, ajuda a esclarecer fatos e reduz a possibilidade de que alguns ataques tenham sido interpretados de forma equivocada como direcionados exclusivamente a civis.
O debate sobre a proteção de jornalistas em zonas de guerra continua intenso. Organizações internacionais enfatizam que profissionais de mídia devem ser tratados como civis, desde que não participem de hostilidades. Ao mesmo tempo, o uso de coberturas jornalísticas por combatentes pode colocar em risco toda a classe. Essa realidade destaca a importância de uma verificação cuidadosa das informações em meio ao conflito, para que a verdade prevaleça sobre narrativas simplificadas.
Publicado em 22/06/2026 20h32
Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.
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