Autoridades iranianas convenceram o líder supremo a negociar com os EUA sobre programa nuclear, diz NYT

Uma foto fornecida pelo gabinete do líder supremo do Irã, Aiatolá Alli Khamenei, em 21 de março de 2025, mostra-o discursando para a multidão durante seu discurso anual em Teerã (KHAMENEI.IR / AFP)

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Em uma atitude incomum, altos funcionários do Irã alertaram o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, que ele deveria aceitar negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano

Caso contrário, o regime poderia enfrentar sérios riscos, incluindo sua queda, segundo o jornal The New York Times.

O Irã e os EUA devem se reunir no sábado, em Omã, para discutir o programa nuclear iraniano, que tem gerado preocupações internacionais. Fontes do jornal, dois altos funcionários iranianos, revelaram que Khamenei se encontrou no último mês com líderes do judiciário e do parlamento. Esses líderes, em um esforço conjunto raro, pressionaram o líder supremo a aceitar o diálogo com os americanos, inclusive diretamente.

Eles alertaram Khamenei que as ameaças de ataques militares dos EUA e de Israel contra as instalações nucleares iranianas, como Natanz e Fordow, são reais. Se o Irã recusasse as negociações ou se elas fracassassem, os ataques seriam inevitáveis, disseram. Além disso, com a economia do país já em crise, uma guerra poderia levar a protestos internos e desestabilizar ainda mais o Irã, criando uma ameaça grave ao regime.

Entre os argumentos, Mohammad Bagher Ghalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária e atual presidente do parlamento, disse que uma guerra, junto com a crise econômica, poderia sair do controle rapidamente. O presidente Masoud Pezeshkian também destacou que gerenciar o país em meio às crises atuais, como apagões de energia que afetam fábricas e falta de água na cidade de Yazd, é insustentável.

This satellite photo from Planet Labs PBC shows construction on a new underground facility at Iran”s Natanz nuclear site, on April 14, 2023. (Planet Labs PBC via AP)

Antes, o Irã rejeitava negociações, mas mudou de posição após ameaças do presidente americano Donald Trump. Hossein Mousavian, ex-diplomata iraniano e hoje pesquisador na Universidade de Princeton, disse ao jornal que essa mudança mostra que a prioridade de Khamenei é proteger o regime. “Preservar o regime é a maior necessidade”, afirmou Mousavian.

Khamenei aceitou as negociações, mas com condições. Segundo três fontes iranianas, ele concordou em discutir um monitoramento rigoroso do programa nuclear e reduzir a produção de urânio enriquecido. No entanto, deixou claro que o programa de mísseis do Irã, que considera essencial para a defesa do país, não será negociado. Isso pode dificultar um acordo.

Por outro lado, o Irã estaria disposto a conversar sobre suas políticas regionais e o apoio a grupos como Hamas, Hezbollah e os houthis no Iêmen, que enfrentam conflitos e perderam força recentemente. Os EUA, por sua vez, insistem que não permitirão que o Irã desenvolva armas nucleares. Trump já ameaçou atacar o país caso não haja um acordo.

Autoridades iranianas disseram na sexta-feira que estão dando uma “chance verdadeira? às negociações e que, sem ameaças americanas, há boas possibilidades de um entendimento. As conversas serão lideradas pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e pelo enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, com a mediação do ministro de Omã, Badr al-Busaidi.

Enquanto Trump chama as negociações de “diretas”, o Irã diz que serão “indiretas”. Um conselheiro de Khamenei, Ali Shamkhani, escreveu na rede social X que o Irã busca um acordo justo, sem alarde, e que propostas importantes já estão prontas. Ele disse que, se os EUA mostrarem compromisso, o caminho para um acordo estará aberto.

Manifestantes iranianos carregam bandeiras do grupo terrorista iraniano, palestino e do Hezbollah em uma manifestação anti-Israel após a oração da sexta-feira em Teerã, no Irã, em 11 de abril de 2025 (AP Photo/Vahid Salemi)

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os EUA deveriam valorizar a decisão de dialogar, apesar do que chamaram de “retórica hostil? de Washington. Trump, por sua vez, reforçou que ataques militares são uma possibilidade caso as negociações falhem.

No Irã, a imprensa mais conservadora, como o jornal Kayhan, vê as negociações com desconfiança, chamando os EUA de inimigos e criticando o diálogo. Já veículos reformistas destacam os benefícios econômicos que um acordo poderia trazer.

As negociações ocorrem em um momento delicado, após Trump abandonar, em seu primeiro mandato, um acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis potências mundiais (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha). Depois disso, o Irã passou a descumprir partes do acordo, aumentando o enriquecimento de urânio a níveis preocupantes, o que dificulta a fiscalização internacional.

Recentemente, o Irã também conversou com França, Alemanha e Reino Unido, que assinaram o acordo de 2015. A Alemanha, na sexta-feira, pediu que as duas partes cheguem a uma “solução diplomática”, vendo o diálogo como um passo positivo.


Publicado em 12/04/2025 02h07


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Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.


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