Júpiter é menor e mais achatado do que imaginávamos, revela a sonda juno

Júpiter fotografado pela sonda Juno, com a sombra da enorme lua Ganimedes à esquerda. Dados da Juno sugerem que Júpiter é mais achatado do que se pensava anteriormente, de acordo com um novo estudo. (Crédito da imagem: Dados da imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS. Processamento de imagem por Thomas Thomopoulos © CC BY)

doi.org/10.1038/s41550-026-02777-x
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#Jupiter 

Uma descoberta recente está pedindo que os livros didáticos sejam atualizados: o maior planeta do sistema solar, Júpiter, é ligeiramente menor e mais achatado nos polos do que se acreditava há décadas

Essas novas medidas, bem mais precisas, vieram dos dados coletados pela espaçonave Juno, da NASA, que orbita o planeta desde 2016.

Por muito tempo, as dimensões de Júpiter foram baseadas em observações feitas há cerca de 50 anos pelas sondas Pioneer e Voyager. Naquela época, usavam feixes de rádio para estimar o tamanho, mas a quantidade de dados era limitada. Agora, com a Juno fazendo diversas passagens próximas e reunindo uma quantidade enorme de informações – especialmente nos últimos anos “, os cientistas conseguiram refinar tudo com uma precisão impressionante, chegando a ajustar as medidas em centenas de metros.

Os novos cálculos mostram que o raio polar de Júpiter (do centro até um dos polos) é de aproximadamente 66.842 km, o que equivale a cerca de 12 km a menos do que o valor anterior. Já o raio equatorial (do centro até a região do equador) ficou em torno de 71.488 km, uns 4 km menor que o estimado antes. Em termos de diâmetro, isso significa que o planeta é cerca de 8 km mais estreito no equador e aproximadamente 24 km mais “achatado? entre os polos.

Essas pequenas diferenças importam bastante. Júpiter não é uma esfera perfeita: sua rotação muito rápida (um dia dura menos de 10 horas) faz com que ele se expanda no equador e fique achatado nos polos, um efeito chamado oblateness. Além disso, os ventos fortes na atmosfera e a estrutura interna do planeta, com camadas externas de menor densidade, influenciam essa forma. A Juno mediu como os sinais de rádio se curvavam ao atravessar a atmosfera e quando eram bloqueados pelo planeta, permitindo incluir esses efeitos dos ventos e melhorar os modelos.

Com essas atualizações, os modelos do interior de Júpiter agora combinam melhor os dados de gravidade com as observações da atmosfera. Isso ajuda os cientistas a entenderem melhor como esse gigante gasoso funciona por dentro. Como Júpiter provavelmente foi o primeiro planeta a se formar no sistema solar, estudar suas características nos aproxima de compreender como todo o sistema – inclusive a Terra – surgiu e evoluiu. As descobertas também servem para interpretar dados de planetas gigantes semelhantes encontrados em outros sistemas estelares.

No fim das contas, embora Júpiter continue sendo de longe o maior planeta do nosso sistema solar, ele se revelou um pouquinho mais compacto e achatado do que constava nos livros antigos. A ciência avança, e com ela nossa visão do universo fica mais precisa e fascinante.


Publicado em 09/02/2026 01h03


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