
Sete meses depois dos graves confrontos que abalaram a província de Sweida, no sul da Síria, a comunidade drusa local ainda vive uma situação de extremo sofrimento e isolamento
Sheikh Muafak Tarif, líder espiritual dos drusos em Israel, alertou em entrevista recente que os drusos sírios permanecem completamente cercados e sitiados, sem acesso livre a ajuda humanitária.
Os problemas começaram em julho de 2025, quando eclodiram violentos choques entre combatentes drusos e tribos beduínas sunitas na região montanhosa conhecida como Jabal al-Druze. As forças do governo sírio entraram no conflito para tentar restaurar a ordem, mas muitos moradores e observadores acusaram as autoridades de tomarem o lado dos beduínos, o que intensificou a violência sectária. O saldo foi devastador: mais de duas mil pessoas morreram, incluindo centenas de civis drusos que, segundo relatos, foram executados sumariamente. Durante o auge da crise, Israel realizou bombardeios na Síria, justificando a ação como necessária para proteger a minoria drusa.
Mesmo após o cessar-fogo alcançado ainda em julho, a realidade no terreno pouco melhorou. Sheikh Tarif descreveu que a comunidade continua totalmente encurralada, impedida de receber qualquer tipo de assistência, inclusive a que os drusos israelenses tentam enviar. Mais de 120 mil pessoas seguem deslocadas de suas casas, sem permissão para retornar, pois 38 aldeias foram tomadas e os moradores estão proibidos de voltar. Além disso, mais de 300 indivíduos, entre mulheres e crianças, permanecem como reféns ou cativos.
Com a chegada do inverno rigoroso às áreas montanhosas, a crise humanitária se agrava ainda mais. O frio intenso se soma à escassez de alimentos, remédios e suprimentos básicos, tornando a vida insuportável para quem já perdeu casas, familiares e meios de subsistência. O líder druso israelense criticou fortemente as forças governamentais sírias, chamando alguns de seus membros de “jihadistas” e comparando-os a integrantes do Estado Islâmico. Ele defendeu que os drusos possuem capacidade própria para se defender e manter a segurança na região, sem depender de intervenções externas que, na visão dele, só pioram as coisas.
Sweida segue sendo uma das últimas áreas importantes fora do controle total de Damasco, mesmo após a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024 e as mudanças no governo sírio. Embora alguns comboios de ajuda tenham conseguido entrar desde o cessar-fogo, o acesso permanece extremamente restrito, e as autoridades negam impor qualquer bloqueio oficial. Enquanto isso, Israel e a nova liderança síria mantêm contatos indiretos, com avanços recentes em mecanismos de compartilhamento de inteligência e discussões sobre a possibilidade de drusos sírios trabalharem em Israel para aliviar a grave crise econômica no país vizinho.
Sheikh Tarif reforçou o apelo urgente para que as famílias possam voltar às suas aldeias e para que a ajuda humanitária chegue sem obstáculos. Ele destacou que os drusos merecem o mesmo direito à paz, à liberdade de movimento e ao acesso a seus lugares sagrados que cristãos e muçulmanos desfrutam em outros contextos, mesmo sem relações diplomáticas formais. A mensagem é clara e preocupante: meses após o pior momento da violência, o sofrimento da comunidade drusa na Síria está longe de acabar.
Publicado em 22/02/2026 06h50
Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.
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