
No deserto do Neguev, próximo à fronteira com o Egito, arqueólogos da Universidade Ben-Gurion anunciaram a descoberta de uma igreja bizantina com cerca de 1.400 anos de idade.
O templo, encontrado no Parque Nacional de Nitzana (também conhecido como Nessana), impressiona pelos pisos decorados com belos mosaicos coloridos, cheios de padrões geométricos e motivos florais. Trata-se da sexta igreja identificada no local, que servia como ponto de parada essencial para peregrinos cristãos que viajavam da Terra Santa até o Mosteiro de Santa Catarina, no Sinai.
A pesquisa no sítio começou há quatro anos com o objetivo de entender melhor como funcionava o movimento de peregrinação cristã antiga. Embora Nitzana não tivesse santuários ou relíquias famosas, sua posição estratégica – como a última parada antes da estrada pelo deserto – transformou o lugar em um centro movimentado. A vila chegou a abrigar até 2 mil moradores, mas o grande número de igrejas só se explica pela presença constante de viajantes que passavam por ali, ficavam algum tempo e precisavam de apoio espiritual e logístico. Em escavações anteriores, a equipe já havia encontrado um albergue para peregrinos com uma pequena capela, banheiros decorados com mármore e pinturas, além de grafites deixados por visitantes vindos de lugares distantes, como Geórgia e Armênia.
O que torna essa nova igreja especial é a beleza dos seus mosaicos, os únicos coloridos entre todas as seis encontradas no local – as demais tinham pisos simples de pedra. Os arqueólogos conseguiram datá-la com precisão rara graças a uma inscrição gravada em 601 d.C. Ela registra que um homem chamado Sergius financiou a construção, junto com a irmã e o sobrinho, que vieram de Emesa, cidade síria hoje conhecida como Homs. O nome Sergius também aparece em papiros antigos descobertos no mesmo sítio décadas atrás, e os pesquisadores investigam se trata-se da mesma pessoa.
Curiosamente, a igreja já havia sido vista há cerca de cem anos por dois famosos exploradores britânicos: T.E. Lawrence, conhecido como Lawrence da Arábia, e Leonard Woolley. Na época, as autoridades otomanas construíam um centro militar no local abandonado e, sem querer, expuseram as ruínas antigas. Os dois deixaram um plano detalhado do sítio, que, combinado com tecnologias modernas de mapeamento, permitiu à equipe atual localizar exatamente onde ficava o templo.
A vila continuou ativa mesmo depois da conquista islâmica, em 638 d.C., e ainda recebeu peregrinos cristãos por mais 150 anos. Aos poucos, porém, com o isolamento da Terra Santa em relação ao restante do mundo cristão, o assentamento encolheu e foi abandonado no início do século IX.
Os arqueólogos, liderados pela professora Yana Tchekhanovets, planejam voltar ao local no próximo ano para escavar salas anexas que também têm pisos de mosaico. Eles querem descobrir se tratam-se de outro albergue para visitantes ou talvez de um mosteiro, ajudando a esclarecer ainda mais o papel dessa comunidade vibrante no passado.
Essa descoberta ilumina um capítulo importante da história das peregrinações cristãs e mostra como um ponto aparentemente simples no deserto se tornou um hub cheio de vida e fé há 14 séculos.
Igreja de 1.400 anos descoberta no Neguev segue os passos de Lawrence da Arábia#Igreja
– João Antônio Garcia (@JoaoAntGarcia) March 18, 2026
No deserto do Neguev, próximo à fronteira com o Egito, arqueólogos da Universidade Ben-Gurion anunciaram a descoberta de uma igreja bizantina com cerca de 1400 anos. pic.twitter.com/EQJC619swe
Publicado em 18/03/2026 08h01
Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.
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