Drusos: O despertar identitário

Cavalheiro druso relaxando em Baakleen; boné branco tradicional

#Drusos 

Já não é possível para Walid Jumblatt ignorar a ascensão da chamada “direita drusa”, que vem crescendo nos últimos anos

Recentemente, aumentaram as vozes que contestam o domínio jumblattista sobre o povo druso unitarista no Monte Líbano.

A ascensão da direita drusa acompanha o crescimento de movimentos de direita contemporâneos, desde os Estados Unidos até o Mediterrâneo Oriental, passando pela Europa. Com as transformações que a região do Mediterrâneo Oriental vem enfrentando e o colapso das narrativas árabes e islâmicas, povos originários como curdos, cristãos, drusos e alauítas vivem um despertar popular, que se manifesta no retorno às suas identidades históricas, afastando-se do enquadramento árabe-islâmico que marcou a região com narrativas totalizantes e, segundo essa visão, obscurantistas.

Como qualquer líder que enfrenta oposição, Jumblatt recorre à deslegitimação de seus adversários, utilizando seus meios intelectuais e populares para atacar esse novo movimento, frequentemente acusando seus integrantes de serem agentes ou financiados por Israel – um argumento que, para muitos, já não se sustenta no contexto atual de grandes transformações.

Neste texto, é apresentada uma análise da chamada direita drusa e suas direções ideológicas.

Existe de fato uma direita drusa?

Nos últimos anos, o sentimento popular entre os drusos começou mudando, especialmente após episódios de violência contra comunidades drusas no sul da Síria, atribuídos a grupos jihadistas. Esses eventos foram interpretados por alguns como um ponto de inflexão no fortalecimento desse movimento, desde o sul da Síria até o Carmelo, a Galileia, o Golã e o Monte Líbano.

Esse movimento ainda não atingiu um nível de organização política estruturada, mas existem ideias comuns entre seus simpatizantes, que podem ser resumidas da seguinte forma:

Rejeição à hegemonia política tradicional:

Sempre houve resistência à dominação das lideranças tradicionais, mas antes era discreta. Nos últimos anos, essas vozes ganharam força, especialmente entre os jovens.

A posição de Jumblatt em relação à situação na Síria e suas declarações foram vistas por parte da comunidade como um fator de perda de confiança, especialmente entre drusos do Monte Líbano.

Recuperação da identidade histórica:

Segundo essa visão, ao longo das décadas, a identidade drusa teria sido diluída em projetos políticos mais amplos – como o arabismo e o socialismo – levando os drusos a participarem de conflitos alheios aos seus interesses diretos, incluindo guerras regionais.

Há também críticas à centralização econômica e institucional nas mãos da liderança política, com alegações de marginalização econômica e limitações no acesso a educação e desenvolvimento nas regiões drusas.

Uma das principais metas desse movimento seria restaurar a identidade drusa como uma identidade própria, distinta, com raízes históricas profundas, cultura específica e papel autônomo na sociedade.

Oposição ao arabismo e à islamização:

Essa posição está diretamente ligada à questão identitária. Para reconstruir sua narrativa, o movimento propõe desconstruir a narrativa predominante das últimas décadas, que estaria baseada no arabismo, socialismo e causas regionais.

Segundo essa perspectiva, os drusos teriam sido inseridos em conflitos do mundo árabe e islâmico ao longo do tempo, o que contribuiu para a perda de sua identidade original.

Debate sobre direitos, federalismo e divisão:

As propostas dentro desse movimento variam entre exigir maior autonomia dentro do Estado libanês, defender um sistema federal ou até propor a divisão territorial. Alguns defendem a criação de uma entidade político-administrativa própria no Monte Líbano histórico.

O caminho desse movimento ainda é inicial e incerto. Trata-se de um processo em formação, no qual parte da comunidade drusa busca redefinir sua posição, identidade e papel no futuro do Mediterrâneo Oriental.


Publicado em 03/05/2026 18h38


English version


Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.


Artigo original:


{teste}